segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Cidades, pra là de cidades!

Minha viagem de fim de ano a Paris e à Bélgica foi bela, apesar da chuva e do frio constante. Quando a Renatinha, uma amiga do Brasil, me disse que estaria nessas terras pelo Natal, achei que seria uma otima oportunidade encontrà-la, jà que queria passar o fim de ano com pessoas mais do que queridas. A sùbita mudança de planos do Henrique, amigo com quem compartilhei alguns bons momentos em nossa viagem a Barcelona e depois aqui em Aix por quase 2 semanas e com quem eu talvez passasse o fim de ano, me fez querer ainda mais encontrar a Renatinha. E assim eu parti, também para conhecer Paris e depois dar um pulo até a Bélgica.

Detalhes à parte, Paris é um mundo na escala francesa. Um mundo também subterrâneo. O metrô é de botar medo nos clautrofobicos como eu. Apertado, sem espaço para circular dentro dos carros e sem espaço suficiente de fuga. Mas enfim, tive que encarar porque era o mais pràtico, porque em tudo tem metrô. Foi divertido. Natal com amigos, foi exatamente como eu queria. Fiquei muito feliz! Não quero aqui contar detalhes sobre Paris, apenas que é uma cidade encantadora, mas que no meu entender està sempre cheia de turistas o ano todo. Respirar arquitetura, urbanismo. Desde o gotico ao contemporâneo. Um lugar pra ir, ver todos os pontos importantes, e voltar pra realmente sentir a cidade. Penso em voltar là no verão, morrer de calor no metrô lotado. Ai!

Depois, resolvi passar o entre-tempo de Natal e fim de ano na Bélgica, jà que é do lado de Paris hà apenas 1h e alguma coisa. Fui a Bruxelas e depois Ghent. Passei frio, fiquei doente e tive meus pés quase congelados, mas sobrevivi e tentei não ligar pra isso, pois sempre que decido me render à ficar gripada, eu fico. Quando eu resisto, é aì que melhoro. Foi otima a viagem. Encontrei Valérie, do couchsurfing, que me hospedou em sua casa. Foi otimo! Fizemos muitos passeios pela cidade, ela foi super gentil comigo me levando pra conhecer tudo logo que cheguei. Não senti Bruxelas como uma cidade especial. Ela tem seu charme, mas nada de especial no que diz respeito a arquitetura ou urbanismo. Ou talvez seja porque meus pré-conceitos de cidades estejam mudando. Ou os meus gostos. Não sei dizer. Senti um certo desconforto em algumas ruas muito proximas do Centro. È estranho essas mudanças sùbitas de percepção num intervalo de espaço pequeno, numa cidade pequena. Aqui em Aix eu não sinto isso. Acho que é uma mistura de de tudo, imigrantes, o espaço urbano tal como é concebido, os espaços turìsticos centralizados.

Depois fui, por indicação de uma amiga, a Ghent, uma cidadezinha a 30 min de Bruxelas, pra là de turìstica também, mas cheia de seus encantos. Encantadora, pelo seu rio cortando a cidade e as casas à beira de sua margem. Toda organizada para o turista ver. Se chega no office de tourisme e eles oferecem logo um guia impresso e gratuito com o percurso a fazer pra conhecer a cidade em apenas 2h. Era isso mesmo que eu precisava porque sò teria 4h pra passear apesar de ter chegado cedo, mas aqui se escurece cedo no inverno e o frio é sempre. Apenas 2h de sol bem gostoso. Enfim, foi òtimo o passeio. Là poucas pessoas falam francês, é o tal do flamenco, mas deu pra me virar fàcil.

Depois voltei a Bruxelas e dia seguinte ia partir a Lille para depois tentar ir a Paris, porque até então não havia conseguido lugar pra ficar. Mas na ùltima hora surgiu uma vaga no mesmo albergue em que eu estava e decidi reservar bem ràpido. Eu jà estava quase me decidindo a volta para Aix por causa da febre e da dor de cabeça, mas não resisti ao reveillon em Paris... E então deixei a casa de Valérie e fui pra Lille. Jà comecei mal perdendo o trem, porque o painel afixou o destino final apenas com o mesmo horàrio do meu, mas não afixou o numero do meu ticket e deixei passar e não havia uma pessoa que eu achava que pudesse me ajudar. Là pelas tantas depois que meu trem passou, eu decidi verdadeiramente procurar ajuda, pois até então achava que o trem estava apenas atrasado, fim de ano...essas coisas. Mas não, eu perdi! Mas resolvi ràpido a questão pagando um pouco mais caro.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Fragmento para o chà

Pausa, enquanto não vêm as idéias para o trabalho a finalizar... Um trabalho até muito interessante e gostoso de fazer... :)

Todos os dias me vem à cabeça muitas coisas. Em saber de antemão que daqui a 6 meses partirei novamente, que faz 5 meses daqui a 2 dias que eu parti, que o tempo passa ràpido e não hà como fazer tudo que se quer, que certas amizades são fugazes, que a vida passa, que se envelhece, que hà muito o que descobrir, e que o futuro não existe de fato. São fragmentos do passado.

Bom, todo esse tempo aqui na França me fez repensar muito minhas escolhas, meus fragmentos para o futuro. Sei também que o que quero neste momento vai mudar em dias. E que este outro vai mudar também. Não sei como avaliar se minhas escolhas foram as melhores e nem piores. Elas simplesmente foram, num dado momento de revolta interior, escolhas feitas. Mas não é este um caminho sem volta e um caminho com volta. Um caminho que jà se definiu por alguns meses e 1 ano. A ùnica coisa que sinto neste momento é que aqui ainda não é o meu lugar. Que o tempo està passando, passando, passando... E os meus fragmentos marcando meus caminhos futuros.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

1814 em direção a 2008

De partida para mais uma viagem...

Vers Paris, vers Bruxelas, vers Ghent, vers Bruxelas, vers Lille, vers Paris, retour à Aix...

Vou conhecer o pais onde reencarnei pela primeira vez segundo a regressão que fiz uns anos atràs, a Bélgica. Não sei se devo acreditar ou se acreditei nisso realmente, até porque se a gente reencarna no ano de 1814, como pode estar usando calça jeans e jaqueta de couro dessas modernas??? Mas o que importa foi o que eu senti... nunca senti nada igual em toda a minha vida. E por isso talvez eu acredite.

Um jovem belga chamado Marques...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Bref

Jà faz quase quatro meses que aqui estou em terras francesas, ou não. Terras mistas, fisicamente, culturalmente.

Nos ùltimos meses fiz muitas e muitas coisas. Apos o periodo dificil de adaptação, as coisas se acalmaram, mas veio um turbilhão de outras coisas, trabalhos, viagens, pessoas, amizades, "des-amizades", "inimizades", descobertas, mudanças.

Pra começar...

Assim que me alojei, logo na primeira semana no meu cafofo novo, tive a alegria de receber Erika. Passeamos um bocado pelo Luberon e Cassis, com a amiga dela, Hedlena, que mora em Grenoble e a Fernanda que morou em Aix e faz o mesmo curso que faço. Fomos de carro, GPS, e viva a modernidade! Isso foi em setembro. Nos perdemos, nos achamos, vivemos altas emoções no mar Mediterraneo no passeio pelos Calanques... Amei!







Depois veio periodo de calmaria... ou não. Passeei em Marseille e Arles...





Fui a Carcassonne e Barcelona com outra visita, esperada, mas também inesperada. Henrique quando partiu do Brasil disse que apareceria um dia por aqui, mas eu nem podia imaginar que seria tão ràpido. Quando eu disse que faria uma viagem nas minhas férias, tcharam! Nos encontramos em Carcassonne e depois fomos de là pra Barcelona. Viajar com Henrique é sempre uma diversão.






Depois veio a viagem de estudos em Montpellier de dois dias onde pudemos conhecer na pràtica os projetos urbanos franceses. As leis aplicadas na pràtica. Desenvolvimento sustentàvel.





Enfim, muito resumidamente, são as coisas pelas quais vim passando esses quatro meses, sem contar as desventuras, as crenças, descrenças, visão de mundo, cultura, etc, que talvez eu và contando em posts separados.

Les exercices de style

INDEFINIDO. O NADA E O TUDO

Chegaram, invisiveis, prontos para o nada ou despreparados para o tudo. Visao distorcida entremeada pela incerteza, pelas vontades do nada e do tudo. Olhar e palavras incertos, tortos, famintos, carentes, solitàrios. Je ne vais pas faire ce que tu ne veux pas. A la fin, c'est quoi ça? Cela, ne sert à rien. Impossivel o previsivel, possivel o imprevisivel. E alors? Alors, on oublie, on rêve. Et après? Afinal, não hà nada e nem tudo. Somente o infinito.

VERBO

Partiram. Uma flor no meio do caminho, sementes venenosas. Segura aqui, nao cai. Sobe ali, olha pra frente. Segura a àrvore, é outono. Continua. Chegaram. Sobe. Abre, fecha. Pàra. Cai. Cai. Olha. Fala. Olha, olha, olha...Abre, fecha. E agora? Passou. Quer saber. Esquece. Não hà nada. Olha, pensa, anda, olha, pensa, anda. Vai. Fica. Vai. Fica. Vai...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Mais bizarrices francesas.

A higiene francesa é algo a desejar sim, seja higiene corporal, alimentar, dos ambientes. Aqui o povo mete a baguete (aquele pão comprido), sem a embalagem que o protege das intempéries e poluição, de baixo do braço, provavelmente jà meio fedido, e sai feliz da vida pra comer na sua casa que também não deve ser a mais limpa do mundo. Fazendo um parenteses, não vamos generalizar. Hà controvérsias e hà pessoas, lugares, comida, muito bem servidos e limpos. Ah, a comida… Putz, que saudade do arroz com feijão e dos restaurantes self-services do Brasil. Putz, saudade mesmo. Saudade do calor do inverno brasileiro, saudade de muita coisa. Aqui o estatuto de violencia é algo quase que inacreditàvel. Aqui a violencia para eles é alguém passar a mão na tua bolsa sem voce ter visto. Ou ser levemente agredido no metro por alguém que quer apenas sua bolsa. A cidade mais violenta da França é Marseille, que fica a quase 30 minutos daqui. O que é Recife então, Rio e São Paulo para eles ? O inferno ? A polìcia é eficiente e mesmo num roubo corriqueiro como o laptop de um estudante que foi roubado no alojamento, eles desvendaram o caso. Coletaram digitais no quarto e o cidadão foi preso.

A boa da night daqui é ir para uma boate onde não se paga nada, absolutamente nada para entrar, apenas o que se consome. Mas também é caro consumir. Então o que a maioria faz é beber em casa, ou nas milhões de « places » ou no Parc Jourdan, de preferencia um vinho, vendido nos supermercados de 3 a 5 euros em média e vinhos dos bons, e sair para um desses lugares. Ou seja, pouco ou nada se gasta e se diverte, sò que não hà muitas opções e os lugares são sempre lotados. Ou então mais barato ainda, reunir o povo na casa ou no quarto de alguém no alojamento e ficar là batendo papo a noite toda. Em todos os lugares pùblicos e fechados, como essas boates, é extremamante proibido fumar e todos respeitam. Aqui cidadão paga multa por estar em lugares não permitidos e agir incorretamente. Aqui todos acreditam em tudo o que voce fala. Dà até pena de contar uma mentirinha de vez em quando. Os franceses principalmente, não os imigrantes como eu, são todos muito inocentes. E dà para acreditar em tudo o que eles dizem. São todos muito cultos, não é à toa que a biblioteca municipal abre aos sàbados até 18h e fica lotada, mas também não abre às segundas. Mas as ruas sao uma grande lixeira... Aqui tem de modo geral, muita coisa boa, mas muita coisa ruim...

A questão da maldita idade, também é a bendita idade, porque fui a uma dessas boates com mais tres amigos, e o cidadão da portaria barrou a mim, somente a mim, me perguntando se eu era maior de 18 anos...rsrs... Eu disse: "Oui, merci". :), fiquei super feliz, ou nao! Deve ser porque os jovens de 18 tem cara de 30.

Aqui é voce quem faz tudo sozinho , sem ter o cara pra fazer pra ti: é voce quem tira a sua xerox na papelaria, quem abastece seu pròprio carro, quem é o proprio porteiro, e quando tem alguém pra fazer isso, essa pessoa é sozinha e faz mil coisas ao mesmo tempo : é quem prepara o lanche e a comida, é quem varre o salão, é quem recebe o dinheiro… disso também dà saudade do Brasil, de ter mil pessoas atendendo num restaurante, de ter um porteiro, do abastecedor de gasolina, de ter o cara que tira todas as xerox que voce precisa com a eficiencia e rapidez que eu nunca vou ter. Parece que as pessoas aqui vivem de verdade. Elas não tem esse estresse de cidade grande ainda. Trabalham sim e muito, mas vivem bem. Ah, tem a tal siesta onde em todos os lugares pùblico, lojas, etc, fecham às 12 :30h e sò reabrem às 14h. Putz, uma longa espera se voce tem pressa. Mas pressa pra que ?

Enfim, muita coisa, muito detalhe que eu vou escrevendo, se possivel, toda a semana.

Bizarrice!!

Ah, isso eu não posso deixar de relatar : logo no primeiro dia aqui, a Fernanda me levou pra conhecer um pouco as àreas ao redor da universidade. Aqui todo mundo te cumprimenta na rua, « bonjour » aqui, « bonjour » ali, principalmente se voce passa por alguém num lugar vazio ou diante da entrada e saìda de algum lugar. Daì passamos por uma passagem subterranea , um tanto bizarra a meu ver, porque não havia ninguém na rua. Daì um sujeito, jà com seus mais de 40 anos e até bem apessoado, apareceu do nada em cima da passagem e disse « bonjour ». Quando eu olhei pra cima ele estava com as calças abaixadas mostrando todo o seu potencial masculino. A Fernanda não tinha ouvido nem visto. Daì ele disse de novo « bonjour » e nem deu tempo de avisà-la. Ela olhou e continuamos seguindo nosso caminho. Bom, ele nada fez, logicamente, porque ele, como bem disse ela, não teria coragem de fazer nada. Ou teria? E me disseram que o povo não tem essa coisa da sexualidade. Se ele era frances ou não, pouco importa. Mas abri minha mente para ver que o mundo é mundo em qualquer lugar e é preciso arregaçar as mangas, não as calças. Mais da metade da população de Aix-en-Provence deve ser de estudante, muitas mocinhas e mocinhos bem intencionados, outros nem tanto. Todos muito jovens. Desse dia em diante passei a andar com meu bico de pato (uma pregadeira pontuda de metal que é capaz de matar um se atacado na jugular...rsrsrsr)na mão quando preciso passar por algum lugar esquisito e sozinha. Mas agora as redondezas da universidade estão mais povoadas e a cidade ferve de gente.